Refúgio cristão durante os séculos 3 e 4 é encontrado em território liberado pelo Estado Islâmico

sergio 7 de maio de 2018 0

Durante escavações na cidade de Manbij, na Síria, arqueólogos encontraram as ruínas de uma Igreja dos primeiros séculos do Cristianismo, o tempo dos mártires. O lugar foi encontrado em 2014 pelo arqueólogo Abdulwahab Sheko, chefe do Comitê de Exploração do Conselho das Ruínas em Manbij. Mas as escavações só foram iniciadas em 2017, um ano após as forças do Estado Islâmico terem sido expulsas da cidade, após dois de ocupação.

Sobre as ruínas havia um depósito de lixo das forças do ISIS. Por sorte, os militantes não encontraram nada. Eles são, afinal, famosos por seu vandalismo cultural, destruindo as ruínas milenares de Palmira, entre outras atrocidades.

A igreja serviu de refúgio para milhares de cristãos perseguidos pelo Império Romano durante os séculos 3 e 4.  O espaço é repleto de túneis estreitos com rotas de fuga, portas secretas, inscrições em grego e até um altar improvisado – com cruzes e outros símbolos cristãos em todas a estrutura.

“Aqui é onde eu acho que o ‘segurança’ estaria observando qualquer movimento lá fora”, diz Sheko em entrevista à Fox News. “Ele avisaria os outros para sair pela outra passagem caso precisassem fugir.”

Além disso, o túnel também possui um cemitério que os arqueólogos acreditam ter sido de uso exclusivo do clero, repleto de restos humanos em grandes túmulos de pedra.

Até a conversão do imperador Constantino, em 313, os cristãos eram párias na sociedade romana. Foram rejeitados por não participarem das festas públicas aos deuses. Uma má interpretação da eucaristia “beber o sangue de Cristo” e “comer o corpo de Cristo”, por exemplo, fez com que eles fossem acusados pelos romanos de praticar o canibalismo. Além disso, também eram acusados de serem incestuosos, pois chamavam uns aos outros de “irmãos”.

“A descoberta indica que havia uma população cristã significativa na área. Eles sentiam que precisavam esconder as suas crenças”, diz John Wineland, professor de história e arqueologia da Universidade de Southeastern, nos EUA em entrevista à Fox News. “Esta é provavelmente uma indicação da perseguição pelo governo romano, que era comum no período.”

Sheko explica que existem mais ruínas para serem descobertas. No entanto, os edifícios acima das áreas complicam o trabalho dos arqueólogos. Por outro lado, os pesquisadores não desanimam já que o fato das Forças Islâmicas terem sido expulsas indica que as escavações podem progredir.

Fonte: aventurasnahistoria.uol – Fotos: Fox News